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Por que você deveria conflitar mais?

por que você deveria conflitar mais

“Criatividade nasce do conflito de ideias”

O conflito é importante para relacionamentos saudáveis, bem-sucedidos e de longo prazo.

O quê?

Os relacionamentos ideais não devem ser livres de conflitos, desentendimentos, decepções, cheios de sorrisos e viver felizes para sempre?

Acontece que não. A falta absoluta de conflitos em um relacionamento pode ser um sinal de alerta que significa uma das duas coisas: ou estamos em um filme de Hollywood – e ninguém nos disse que somos um personagem da história – ou estamos ressentidos, distantes emocionalmente, e, eventualmente, com rupturas em nossas relações.

O conflito é necessário para o sucesso de um relacionamento de longo prazo e também é inevitável.

Os conflitos aparecem pela força natural. A vida nos coloca diante de situações em que é obrigatório tomar decisões, resolver dilemas, discutir questões, desafiar pontos de vista ou caminhos de ação. E nesse cenário, é esperado que apareçam desacordos, raiva e frustrações, senão não é normal.

O que não é normal é a ausência de conflito. Se nada abalar a relação, então estamos varrendo o que nos incomoda para debaixo do tapete, estamos ignorando, nos escondendo ou não sendo autênticos.

Isso cria ressentimento, que é um inimigo da confiança e da intimidade. Uma harmonia artificial que drena e, mais cedo ou mais tarde, leva os casais a se separarem fisicamente ou ficarem juntos por razões erradas: crianças, normas sociais, por conveniência ou porque não há melhor alternativa.

Os conflitos são importantes porque “imunizam os relacionamentos”. Tal Ben-Shahar faz uma analogia que me parece muito boa para entender essa ideia. Quando um bebê nasce e o colocamos em uma bolha estéril durante seus primeiros anos de vida e depois o deixamos no mundo, é provável que ele morra, porque não teve a oportunidade de desenvolver seu sistema imunológico recebendo as vacinas da vida. O mesmo acontece nos relacionamentos; se permitimos que eles cresçam em espaços estéreis, quando surge um grande conflito, não teremos um sistema imunológico pronto, nem a força interior para lidar com isso, e haverá uma interrupção permanente.

Agora … nem todos os conflitos são os mesmos.

Existem conflitos positivos que promovem o crescimento e são baseados na confiança.

Patrick Lencioni, um especialista em gerenciamento de equipe, explica que o conflito pode ser bom e produtivo quando reflete a busca da melhor solução possível, a intenção de fazer a coisa certa ou o desejo de tomar decisões sãs. A confiança é essencial para isso, porque nos permite superar o medo de diferentes opiniões, ideias desafiadoras e elevar nossas vozes sem medo de prejudicar os sentimentos ou sensibilidades dos outros. Essa ideia é transferível para todos os tipos de relacionamentos – casais, famílias, amigos, colegas de trabalho.

Agora … temos que cuidar de certos aspectos quando estamos em situações de conflito para evitar que eles se tornem hostis e destrutivos.

Os Quatro Cavaleiros do Apocalipse são uma metáfora do Novo Testamento que nos mostra o fim dos tempos. Eles representam a conquista, a guerra, a fome e a morte, respectivamente. John Gottman, especialista em relacionamentos, usa essa metáfora para descrever estilos de comunicação que podem acabar com a união de um casal. Esses conceitos se aplicam a qualquer relação entre duas pessoas que se comunicam.

 

Quais são os quatro cavaleiros do apocalipse?

Crítica. Consiste em atacar a essência de uma pessoa ou um aspecto de sua personalidade em vez de se concentrar em um comportamento específico ou em uma ação. Por exemplo: “Você é um egoísta, você está apenas falando sobre você.” em vez de “Eu me sinto excluído quando você não pergunta como meu dia foi”.

Desprezo. Ele vem de uma atitude de superioridade e pode causar muitos danos. Nós desrespeitamos, nós simulamos, usamos sarcasmo, apelidos ridículos, reviramos os olhos, fazemos cliques com a boca ou olhamos sobre o ombro. Nós nos tornamos arrogantes ou fazemos com que a outra pessoa se sinta pequena. Este cavaleiro é o mais perigoso de todos.

Defensivo ou tornando-se a vítima. Quando recebemos uma queixa ou uma crítica e procuramos virar o argumento e encontrar desculpas para as nossas ações. Trocamos os papéis. Por exemplo: ele diz “Você não chamou o médico? ” e nós respondemos “Você deveria fazê-lo” E o melhor seria dizer: “Como você pensa em pedir-me para chama-lo, sabendo o quanto estou ocupada?”. Isso funciona muito melhor para assumir nossa responsabilidade no conflito.

Remoção emocional ou erguer um muro. Também a conhecemos como “dar um gelo”. Acontece quando o ouvinte se desconecta da interação ao não responder, tapando seus ouvidos, olhando como se a pessoa não existisse, cuidando de si mesmo, não falando por horas ou mesmo dias. No WhatsApp, após um conflito, é equivalente a ser deixado em “visto”. É mais eficaz pedir tempo para se distrair e restaurar o nosso equilíbrio emocional antes de retornar à discussão.

Não é possível nem desejável eliminar o negativo. Não se trata de ignorar o que não funciona ou deixar de lado os problemas. Trata-se de enfatizar e acentuar o que funciona bem.

Faça um esforço para que as interações positivas superem as negativas.

Com pequenas atitudes, podemos manter interações positivas ao longo do tempo. Dê um abraço em seu parceiro e filhos antes de dizer boa noite, envie textos carinhosos, mostre afeto com sorrisos, carinho, ouça atentamente, faça coisas diferentes para sair da rotina.

Discussões e conflitos podem ser uma forma de crescer e fortalecer nossos relacionamentos mais importantes. E lembre-se: a falta total de conflito entre duas pessoas pode ser um sinal de alerta!

Nicole Fuentes
Nicole Fuentes
É professora na Universidade de Monterrey (México) na disciplina "Ações para a felicidade". Estudou Economia na Universidade das Américas em Puebla e Métodos Quantitativos para Ciências Sociais na Universidade de Columbia -Nova York. Trabalhou por 11 anos como pesquisadora do Centro de Estudos de Bem-Estar da Universidade de Monterrey. Seus projetos de pesquisa foram apresentados em fóruns acadêmicos em Milão e Veneza, Itália; Frankfurt, Alemanha; e Filadélfia, nos Estados Unidos. É pesquisadora, Consultora na área de Psicologia Positiva e Palestrante reconhecida internacionalmente. Colabora e escreve para revistas empresariais, BCM The Business Club Magazine e WOMAN. Ela é autora do blog Bienestar con Ciencia. https://bienestarconciencia.me/